VALTER DE MOURA, Advogado

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Direito Imobiliário, 17%

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Christina Morais, Advogado
Christina Morais
Comentário · há 2 meses
Depois de alguns meses, o escritório “não se paga”, apesar de todos os esforços.

Eu vivi isso na minha experiência. Após apenas um ano de escritório próprio com as contas pagas por meu pai, eu “desisti” de ter o meu próprio escritório e ingressei em outros, em regimes de parcerias e colaborações, e hoje eu vejo que foi uma decisão de imensa imaturidade, motivada exclusivamente pelo “medo do fracasso”. Hoje, com 18 anos de advocacia eu sei: o retorno aparece em 3 anos, mais ou menos. Começa a aparecer, pra ser mais exata. Retorno imediato só se eu fosse ao Ceasa e comprasse uma caixa de tomates e imediatamente, os levasse para revender no mercado da cidade. Vendendo todos os tomates após algumas horas (por preço mais alto que aquele pago por eles), teria o retorno do meu investimento. De imediato. Ocorre que escritório de advocacia não é banca de tomates numa feira livre. Um processo judicial demora em média três anos para se concluir. E na imensa maioria dos casos, o grosso dos honorários serão os honorários finais e sucumbenciais. E mesmo quando saem, o processo administrativo para sacar valores de requisições e precatórios pode demorar longos meses e demandar até despesas de viagens, conforme a comarca de origem. Assim, há que se esperar. Um escritório de advocacia deve ser montado com o mínimo de investimento financeiro possível, o mínimo necessário para que funcione, e o advogado deve providenciar uma provisão financeira para sustentá-lo pelos próximos anos, sem esperar que as contas do mês sejam pagas com os honorários percebidos ao longo daquele mesmo mês. Isso não é “pagar para trabalhar”. É investir na sua carreira e em você mesmo. Advogado não paga contas com “salário”. Advogado nem tem salário! Nosso pensamento financeiro não pode ser deturpado pela ideia do pensamento de um trabalhador comum. Após muitos anos pagando para trabalhar, literalmente, já que eu estava atuando no vermelho em escritórios alheios, eu tomei coragem de investir na minha própria banca. Formada por mim mesma, e eventualmente, por algum colega que pediu pra entrar e depois, pra sair, saindo da mesma maneira como entrou e eu continuei lá, firme. E com perseverança eu vi que o retorno começou a se apresentar. Em um determinado ano eu fiz as contas e vi que a soma dos honorários percebidos ao longo do ano foi um numerário superior à soma dos gastos mensais de manutenção do escritório e de sustento meu, de minha casa e de minha família, ao longo de 12 meses. Enfim, eu tinha alguma renda de verdade. Não foi lá “grandes coisas”, mas pra mim, foi a maior vitória e ao mesmo tempo, a maior derrota da minha vida. E assim eu aprendi. A conta que eu pago hoje, provém de uma ação iniciada há 3 anos, e assim sucessivamente. A ação que eu iniciei hoje garantirá meu sustento em 2021. Advogado tem que pensar em renda anual (e não mensal). E pagamos tudo com provisões, ou seja, valores que ganhamos e acumulamos antes de assumir o encargo. E, no nosso caso, anos antes. Ali eu vi que se há 10 anos eu não tivesse desistido do meu primeiro escritório, eu estaria naquele momento muito mais longe. A desistência atrasou a minha independência financeira por meio da advocacia em pelo menos 10 anos. Hoje, eu teria feito diferente. E não é preciso ter um “pai para bancar o escritório no início”. Oriento aos acadêmicos que invistam na advocacia. Façam estágios remunerados, trabalhem nas horas livres, ajudando seus pais em seus negócios, atuando como garçons ou músicos de botequins, não importa. Deem um jeito. Arranjem empregos temporários nas férias escolares, façam intercâmbio de trabalho no exterior durante as férias, vendam brigadeiro no intervalo das aulas e no ponto de ônibus. Mexam-se! E ao longo da faculdade, guardem cada centavo que entrar. Façam a provisão de 3 anos de sustento de seus próprios escritórios. Mesmo se decidirem pelos concursos, os três anos de advocacia serão necessários. Então não contem “com os outros” para isso. Trabalhem de verdade, por três anos, investindo em suas carreiras (e não “pagando pra trabalhar”) em seus próprios escritórios. Garanto que com tal postura haverá pelo menos 50% menos “baixas” da advocacia. Muitos vão se surpreender e acabar por permanecer nessa carreira maravilhosa, libertadora e tão importante na construção de um mundo melhor. E não se iludam: todos os grandes homens de sucesso que vocês puderem lembrar para citar, acumularam dinheiro poupando e investiram em seus negócios e aguardaram anos pelo retorno. Fórmula mágica não existe para nenhum modelo. Nem mesmo para o concurso, já que a vida de concurseiro também não é barata e demanda muito investimento. A advocacia trará retorno. A advocacia trás retorno. Basta que o advogado pare de pensar no próprio sustento com mentalidade de assalariado e comece a pensar em investimento e renda. Faz toda diferença do mundo.

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